Que não se fale dos velhos tempos

Um casal permanentemente perdido, joga, nos rituais domésticos, uma vida gasta e encravada, onde a palavra se solta como conforto e confronto, misturando tempos, o do presente, onde o nexo se perde a cada gesto, e o do passado, onde, talvez, houvesse matéria para mais do que isto, o quase nada que agora partilham.
M.A.D.

É impossível abraçar o mundo todo. A sua labiríntica complexidade estarrece-nos. Os seus equilíbrios políticos e culturais são infinitamente delicados e deles depende um quotidiano, o nosso, em que, muitas vezes, nos vemos obrigados a tornar menos afiada a nossa consciência por forma a funcionar socialmente. E a procura de refúgios onde ser-se humano possa…
Vida e obra de um homem mais ou menos apresentável

Não se lhe conhece o nome, não se lhe conhece a idade. Um anónimo entre muitos, estes segundos apenas vislumbrados pela voz do primeiro, numa loja também ela anónima, um trabalho como qualquer outro, um emprego, antes, um conjunto de tarefas repetitivas, esmagadoras, cumpridas sob o chicote de uma eterna avaliação selvática.
Diário de um louco

Um homem, funcionário público, fidalgo, bem-pensante, arrogante, sumamente pobre, orgulhoso membro das classes altas da sociedade russa de meados do século XIX, redige, à luz da vela, o seu diário, traduzindo, em palavra escrita, os assombros, frustrações, medos e amores que, à clara luz do dia, não ousaria jamais enunciar.










